Faculdades Mediúnicas


Você, querido amigo, que pretende desenvolver faculdades mediúnicas e supõe, com isso, que teria meios de realizar-se mais espiritualmente, pense que, nem sempre, esse caminho é o melhor para se atingir a meta da excelência no autoconhecimento e do domínio do “eu animal”, em prol da transcendência de si mesmo, rumo à ativação plena do “eu divino”.

Grandes tradições espirituais da Humanidade – quais o budismo e o hinduísmo, bem como a maior parte das doutrinas cristãs clássicas – chegam ao ponto de apresentá-la como forte empecilho à expansão do espírito. Buda desautorizou com clareza a busca de ampliá-la, assim como as autoridades eclesiásticas e os “teólogos” hindus fizeram o mesmo, no correr de séculos.

Obviamente, não podemos endossar, em caráter absoluto, tais colocações. O próprio Jesus foi médium dotado de incríveis potenciais mediúnicos, e propôs a seus discípulos manifestassem as mesmas capacidades, dizendo que aqueles que não “expulsavam os demônios” não o faziam por causa da sua “pouca fé”.

O Cristo fez de seu ministério na Terra um circuito contínuo de pregações espirituais e manifestações fenomenológicas de caráter mediúnico (canalizando o Próprio Criador – ou Seus Prepostos Diretos): curou enfermos, conversou com “daimons” (significando “espíritos”, em grego, o idioma em que primeiro os Evangelhos foram escritos), materializou os mortos (Moisés e Elias, no monte Tabor), e até realizou prodígios psíquicos inacessíveis à compreensão comum de agora, como falar a multidões gigantescas, por meio de métodos de comunicação mental direta, tornando telepatas os que não eram, fazendo-os ouvir suas preleções fabulosas por dentro, em termos íntimos, familiares, com riquíssimas imagens mentais, independentemente do que o vizinho e os demais componentes da massa ouviam.

O combate da mediunidade, entre a classe eclesiástica, contra o fenômeno mediúnico, tem, por outro lado, inconfessáveis interesses políticos em sua subjacência, já que permitir que as pessoas tenham um canal direto de contato com Deus e Seus Representantes retiraria a organização religiosa da condição de intermediária exclusiva entre o Criador e Seu “povo”, o que ela pretende ser e do que é extremamente ciosa, por motivos óbvios. Não por acaso, Jesus disse que templos de pedra não importavam e que, um dia, o “Pai” seria adorado “em espírito e verdade”.

Buda, que não deixou de revelar o lado fraco de sua humanidade (muito embora, alma de invulgar evolução), ao propor a mendicância como única fonte de sobrevivência digna e verdadeiramente espiritual, estava preocupado com o deslumbramento que os fenômenos mediúnicos e paranormais costumam gerar naqueles que se lhes tornam epicentros, bem como entre os que têm oportunidade de presenciá-los, de perto, sujeitos que estão a reverterem a ordem de prioridades, prestando atenção maior à superfície dos mecanismos fenomenológicos em si, esquecendo-se do essencial: a mensagem espiritual e a urgência de sua aplicação.

Um mentor espiritual, por exemplo, pode transmitir belíssima comunicação mediúnica, e, ao término, ao reverso de cogitarem de aplicar o que foi proposto, como inadiável necessidade de progresso, os contemplados com a bênção inapreciável podem ficar se atendo a detalhes dos mecanismos medianímicos, ou a quanto o médium foi ou não fiel às ideias do espírito, ou, ainda, a como foi impressionante a clareza mental do intermediário das Alturas, em comunicar os avisos do “Além”.

Todavia, se muito lhe fascina, ainda assim, a possibilidade de desdobrar suas faculdades psíquicas, vou-lhe sugerir algo de fundamental em tal matéria: o desenvolvimento da intuição, por meio dos sutis processos da inspiração.

Nem toda gente, na Terra, está apta a manifestar dotes psíquicos excepcionais, no sentido da ostensividade mediúnica, que não é tão comum quanto se pensa em alguns círculos espíritas. A intuição, entretanto, é patrimônio comum da Humanidade. Todo ser humano possui, em maior ou menor grau, a capacidade de abstrair-se dos meandros estreitamente racionais, analíticos e fragmentário sequenciais de pensamento, a fim de apreender, de modo global e direto, objetos ou realidades observadas.

Falhas podem acontecer, no exercício desse mecanismo complexo, e você cometerá muitas, assim como a criança pequenina que aprende a falar e diz suas asneiras lindas para quem as ouve, sobretudo os pais. Aceite sua condição de infante nas questões mais altas do espírito e permita-se errar e sorrir de seus erros, como riria de um filhinho que aprendesse a se comunicar em tenra idade.

E, para ter o referencial certo de conduta nesse empenho de se desenvolver psiquicamente, sem deixar de pôr em primeiro plano os interesses do espírito, siga a “voz da consciência”, a inspiração do ideal, do espírito de serviço, de amor, de crescimento constante em busca da paz e da verdade. Por esse intermédio, indubitavelmente, combatendo sua natureza animal, egoísta, materialista, hedonista, imediatista, em função de algo maior, que a tudo transcenda e que lhe indique e desdobre a filiação Divina, você estará se imunizando contra os deslizes maiores no processo de desenvolvimento sutil das faculdades mediúnicas, contra o resvalamento nos desvãos mais perigosos da jornada evolutiva, consubstanciados em deixar inflar o ego, ao invés de colocá-lo a serviço do Eu Superior, da Espiritualidade e de Deus.

Não se esqueça, por fim, de que a mais importante de todas as formas de mediunidade é a mediunidade do amor, do socorro ao semelhante, do trabalho oferecido à humanidade, da paciência e da persistência em se colocar à disposição de quem precisa, de se fazer canal para a felicidade do próximo, porte-se ou não grande extensão de sensibilidade psíquica.

A mediunidade é recurso de comunicação e interação mental, de valor neutro em si, e pode ser instrumento de perdição para quem a possui em larga medida, por não saber ou não ter estrutura interior para administrá-la, nos complexos e intensos intercâmbios com forças e agentes psíquicos perturbadores, por meio das brechas psicológicas de suas próprias falhas morais. Não por acaso, instituições psiquiátricas estão abarrotadas de muitos desses superdotados tão invejados da mediunidade. Em vez de, no contato dramático com a realidade espiritual, superarem as dúvidas acerca da imortalidade e da prevalência das questões da alma sobre as da matéria, esses gênios mediúnicos, normalmente, perdem a fé em si mesmos, a própria lucidez e sanidade mental, e se convertem em demônios de si próprios, aturdidos com pesadelos medonhos, na hipertrofia (propiciada por sua supersensibilidade psíquica) de seus problemas e conflitos pendentes.

Em suma, a mediunidade não se glorifica pela amplitude fenomenológica de quem a possui, mas sim pela qualidade de sua sintonia, ao utilizá-la como meio de contato com as faixas mais altas de consciência, com os seres mais evoluídos da dimensão extrafísica de existência, os mestres da Humanidade que, a serviço de Deus, a Ele-Ela encaminham os homens e mulheres de boa vontade.

(Texto recebido em 28 de outubro de 2000. Revisão de Delano Mothé.)

Fonte:http://www.forumespirita.net/fe/artigos-espiritas/desejo-de-ser-medium-benjamin-teixeira-pelo-espirito-eugenia/#ixzz1x2lAqI78.

 

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