Umbanda


É lugar comum, encontrar em vários textos que se referem a Umbanda, a confinante classificação de “religião cultural”. Sinto pelos que concordam, mas me debato fervorosamente a esta idéia. É certo que pertenço a uma “nova geração” de umbandistas. Não tenho raízes apontadamente africanas, nunca freqüentei um terreiro de “chão de barro” e desde que me lembro, sempre ouvi explicações, senão científicas, ao menos lógicas para todo e qualquer fenômeno ocorrido dentro de uma gira de Umbanda. Dentro da irmandade espiritual a que pertenço, temos pessoas de todas as classes, níveis culturais e correntes intelectuais. Médicos, jardineiros, professores, promotores de justiça, vendedores, engenheiros, donas de casa, diaristas, advogados, artistas, enfim, uma gama bastante variável em termos de cultura e origens as mais diversas. Então a conclusão me parece óbvia: A Umbanda não é uma religião cultural, porque não depende de uma determinada cultura apenas. Uma religião cultural é a religião que pertence especificamente a um grupo cultural, como podemos observar no bramanismo ou judaísmo. A Umbanda, não pode ser considerada uma religião deste gênero, porque é universal.
Eu explico: A Umbanda é uma religião essencial ao ser humano, enquanto consideramos a sua essência, não apenas a sua porção corpórea, mas também a sua causa psíquica e espiritual. Seus fundamentos, encontrados similarmente em diversas religiões, cultos e correntes filosóficas através do tempo e espaço humano, não pertencem à esquemática de um ciclo determinado da cultura humana, mas sim ao sistema do homem enquanto homem, por isso não pode ser limitada a uma cultura ou grupo social, mas sim encarada como um caminho da própria natureza do ser humano.
A Umbanda, mesmo que hoje isto já seja bastante óbvio, não pode ser considerada uma religião racial porque não depende de qualquer raça. E seria um erro julgar apenas que fosse uma manifestação amálgama, um estágio posterior ao encontro dos cultos africanos com a doutrina espírita européia, com influências sincréticas do cristianismo ou crenças indígenas nativas. Embora em sua forma atual perceba-se esta fusão de elementos culturais diferentes, alguns até antagônicos, conciliados em uma percepção global do Sagrado, absolutamente não é esta sua condição final. Nem tão pouco pode ser considerada uma religião de classes, porque embora determinadas classes em determinados contextos possam formar suas religiões e as têm formado ao longo dos anos, a Umbanda não pertence a nenhuma classe, ou casta, porque não depende delas para ser.
A Umbanda é uma religião da espécie humana, tomada em sua totalidade: corpo, mente e espírito. Assim, mesmo formando-se e surgindo em uma determinada área racial e cultural, pertence a mais genérica parte do ser humano, o anseio do homem pelo Sagrado. Porque a preocupação com o corpo, a mente e a alma humanos independe, inclusive, do tempo, quanto mais da cultura, espaço ou classe social. A Umbanda, apreendida através do contato com a espiritualidade superior, poderia surgir – se é que não o fez – em qualquer instante do tempo, não estando simplesmente determinada a condições históricas em que surgiu. Essas talvez, apenas facilitaram e facilitam sua atual percepção. Poderia ter surgido antes, como poderia ter surgido depois. Aqui ou ali em relação ao espaço geográfico. Por isso as suas possibilidades não dependem das condições culturais, porque pertencendo aos anseios inerentes ao homem enquanto homem se torna, então, universal.

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Sobre Caminhos para Aruanda

Saravá a todos! Sou umbandista e venho por meio desse "portal" tentar contribuir um pouco para desmistificar a nossa querida Umbanda. Aqui você conhecerá sobre os mitos, orixás, pontos cantados, orações, oferendas e um pouco mais sobre o sincretismo brasileiro. Sejam bem-vindos a nossa cultura Afro-Brasileira, ou melhor, sejam bem-vindos à Umbanda!.
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